A Rabobank retirou o ciclista Michael Rasmussen da Volta à França. Rasmussen era até ao início da noite líder da classificação geral, mas foi afastado da prova porque “violou as regras” da sua equipa. Alberto Contador, da Discovery Channel, é o novo camisola amarela.
Um porta-voz da equipa explicou que Rasmussen foi afastado porque mentiu sobre o seu local de treino em Junho: disse que estava a treinar no México, de onde é oriunda a sua esposa, mas na realidade encontrava-se em Itália. “Várias vezes ele disse que onde estava a treinar e provou-se que era mentira. A direcção da equipa recebeu essa informação várias vezes e hoje recebemos novos dados”, afirmou Theo de Rooij, director da Rabobank, citado pela Reuters. Um porta-voz da equipa disse à televisão holandesa que não foi ainda decidido se a própria formação continuará na prova.
Os ciclistas têm de indicar às autoridades, com regularidade e antecedência, a sua localização. Só desta forma é possível efectuar controlos de doping extracompetição, de surpresa, considerada a forma mais eficaz de detectar quem se dopa nos treinos, para escapar aos testes efectuados regularmente nas competições. Quando os ciclistas não cumprem esta regra recebem avisos formais. Ao terceiro aviso em 18 meses, são alvo de procedimentos disciplinares e podem ser punidos com suspensões entre três meses e dois anos.
Durante o Tour, já depois de Rasmussen ter conquistado a liderança nos Alpes, a União Ciclista da Dinamarca (DCU) anunciou a exclusão do ciclista da equipa que irá apresentar nos Mundiais deste ano e nos Jogos Olímpicos de 2008. Motivo: Rasmussen recebeu quatro avisos, dois da União Ciclista Internacional (UCI), em Março de 2006 e 29 de Junho deste ano, e dois Anti-doping Danmark (ADD), agência antidopagem da Dinamarca, a 6 de Abril e 21 de Junho.
O director da DCU, Jesper Worre, defendeu mesmo que Rasmussen deveria ter sido suspenso antes do Tour, porque acumulara quatro avisos em 18 meses (neste ponto a coordenação internacional entre diferentes entidades ainda não funciona bem). A própria Agência Mundial Antidopagem (AMA) já contactou a UCI “para pedir esclarecimentos sobre as circunstâncias das falhas em informar a localização por parte do atleta mencionado”, revelou ontem ao PÚBLICO o director de comunicação da AMA, Frédéric Donzé.
As repercussões deste caso aumentaram nos últimos dias, inflacionadas pelos controlos positivos de Alexandre Vinokourov (Astana) e Cristian Moreni (Cofidis). À partida para a etapa de hoje, ciclistas das equipas francesas e alemãs presentes no Tour organizaram um protesto. Corredores e dirigentes mostraram apoio ao pedido feito pela organização da prova para que Rasmussen abandonasse (entre eles não estavam candidatos à vitória). O dinamarquês foi mesmo apupado pela massa de pessoas presente no local de partida. Ao longo da etapa, Rasmussen continuou a ser alvo dos protestos dos espectadores, mas ainda assim logrou vencer e reforçar a liderança, perdida poucas horas depois por decisão da Rabobank.
“O importante não é ele ter sido retirado pela sua equipa, mas sim ele não estar presente na partida, amanhã”, afirmou à Reuters o director do Tour, Christian Prudhomme. Pat McQuaid, presidente da UCI, recusou comentar o caso por não ter sido notificado pela Rabobank, mas mostrou-se “um pouco surpreendido” por a equipa não ter discutido o caso com a federação internacional e pela altura escolhida para a exclusão de Rasmussen: “Pergunto-me porque não tomaram esta decisão quando receberam toda a informação em Junho. Contudo, trata-se de uma política de tolerância zero e eu só posso aplaudir isso”.
Patrocinador Rabobank apoia decisão
Depois das declarações de Theo de Rooij, vieram as explicações por escrito. “Ele [Rasmussen] não estava no local que ele indicou nos seus formulários de localização que entregou à UCI, já demasiado tarde. Rasmussen foi justificadamente avisado pela UCI por ter entregue os seus papéis com atraso”, considerou a Rabobank, num comunicado publicado no seu site, no qual se mostrou “chocada e extremamente desapontada por Rasmussen ter mentido sobre a sua localização”.
Neste comunicado, a Rabobank manifesta o apoio à decisão da direcção da Rabo cycling team, empresa que gere as equipas, e diz que não está, “para já, a planear retirar-se do ciclismo como patrocinador”. Quanto à apresentação da restante equipa na etapa de amanhã, a Rabobank deixou essa decisão nas mãos dos ciclistas que não foram afastados da prova.
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